domingo, 6 de setembro de 2009

Clichês da Contra-Cultura Punk - Pt. I



Sobre clichês dentro da Contra-Cultura Punk – Pt. I

O estereótipo do “Anti-Social”.


O que é realmente ser punk? Talvez seja não se prender a clichês já tão manjados para quem decide se tornar realmente “PUNK”.
Trocando em miúdos: Quem disse que, para ser punk, é necessário ser anti-social ou adotar uma postura de alguém aparentemente grosseiro diante dos outros, quando, em casa, se mostra um senso de humor e, principalmente, quando se tem amigos?
Se o intuito primordial dos punk’s é mudar a sociedade, é controverso e estranho os mesmos se auto-afirmarem “contra a mesma”, como alguns fazem, dizendo odiar o social. Sendo contra a mesma, como se mover os pauzinhos a favor de uma igualdade social e de um ambiente melhor para as futuras gerações?
Não estou dizendo respeito quanto ao que ouvir, pois é realmente comum e faz sentido que punk’s escutem apenas punk rock, hardcore e suas vertentes, assim como é absolutamente comum que metaleiros odeiem punk e vice-versa.
O que entra em jogo realmente é a atitude e não o som que você escuta. Há muitos punk’s old school que são posers sem notar, pois lhes falta atitude, e há muitos posers que possuem mais de old school do que imaginam, pois tem atitude e personalidade para defender suas visões, sem cair nos clichês.
A questão não é ser anarcopunk ou simplesmente punk rocker, pois, independente de qual vertente você seguirá, você irá aos gigs da vida. Todos saem e se divertem e têm, no mínimo, uma pequena vida social, com sua rodinha de amigos.
Uma demonstração de personalidade realmente forte é se libertar dos clichês e ser quem você realmente é, sem criar máscaras idiotas. Isso é “punk”!

Por: ♀Mari Diaz† - Riot Vicious.
2ª coluna publicada no Girlz Music Zone, no dia 15/08/2007.

quinta-feira, 3 de setembro de 2009

"Sobre o Anarquismo".








"Não há uma humanidade.


Há uma humanidade de classes


Escravos e Senhores".


FAG - Federação Anarquista Gaúcha.




Primeiramente, não há progresso sem batalha, ou seja, por mais primitivo que possa parecer à todos, ainda é e sempre será necessária uma revolução, uma luta de classes. E, infelizmente, devido ao atraso intelectual e moral em que nos encontramos ela deve ser violenta, seguindo seus moldes ultra-românticos. Não nos encontramos em um estágio que permita “lutas intelectuais”, ou seja, discussões bem-resolvidas e inteligentes, que realmente ajudem a sanar os problemas nos quais estamos afogados, e não um disfarce que demonstre um progresso lento e ilusório, enquanto, na verdade, os trabalhadores ainda sofrem carências e são escravizados pela burguesia.

Em segundo lugar, a própria luta de classes criada pela escravidão dos trabalhadores e sua aspiração a melhores condições de vida e liberdade, gerou, de maneira oprimida, o anarquismo. A idéia de negação total de um sistema social preso às classes e um Estado, substituindo ambos por uma sociedade livre e de trabalhadores com gestão própria, é a base anarquista. Eis a prova de que o movimento não se originou de reflexões vãs intelectuais ou filosóficas, mas sim da necessidade dos trabalhadores, que, desde o início, são oprimidos e escravizados pela burguesia.

O interesse maior do Anarquismo é a igualdade de condições à todo e qualquer indivíduo, independente de classe social ou raça. Anda junto com o comunismo libertário, que crê que a força da sociedade está no trabalho físico e intelectual e que o mesmo governa as vidas econômica e social. Por tal motivo, ele não permite nem defende a existência de classes não-trabalhadoras.


Muitas vezes, o capitalismo gera um comodismo por parte da nação. A população acaba se tornando consumista e se anulando em função da mídia, ou seja, passa a julgar ideal aquilo que a mesma prega, e não aquilo em que realmente crêem. Criticam superficialmente, mas não agem e nem lutam pelos seus ideais de nação melhor, e o mais complexo: Valorizam tanto o dinheiro que se tornam mesquinhos e não enxergam que o mundo não depende apenas dele para evoluir. O capitalismo prega, muitas vezes, que a competição torna um indivíduo melhor que o outro, quando, na realidade, cada um de nós é tão bom quanto nosso próximo: nem melhor, nem pior, apenas igual, e podemos aprender com ele.

Por fim, o Anarquismo não prega a exclusão do trabalho e do capital, muito menos da mídia, mas sim a convivência com ambos sem escravizações ou exageros, de modo a observar, criticar, pensar e agir, e não a apenas olhar e consentir.



Por: ♀Mari Diaz† - Riot Vicious.
Minha primeira coluna, publicada em meados de 2000, no site Girlz Music Zone.